Federico García Lorca: um escritor universal
Federico García Lorca foi escritor, poeta e dramaturgo espanhol. Nasceu em Fuentes Vaqueros, em Granada, Espanha, no dia 5 de junho de 1898.
Estudou Direito, Filosofia e Letras, todavia seu interesse sempre foi a música e a literatura.
Aliás, a música sempre fez parte de sua vida, desde menino, quando começou a ter seus primeiros contatos com sua região, Andaluzia.
Dessa forma, todos os aspectos desta cultura passaram a exercer forte influência em sua obra, especialmente em relação aos ciganos, aos judeus, aos negros, ao modo de falar do povo, ao seu próprio ambiente, ou seja, todo o espírito andaluz está refletido em sua obra.
Sua primeira publicação ocorreu quando García Lorca contava com 20 anos, intitulada Impresiones y Paisajes, em 1918.
No ano seguinte, muda-se para Madri. Na capital espanhola, morou na Residência dos Estudantes e, dessa forma, teve a oportunidade de conhecer vários artistas, além de ter seu talento reconhecido.
Em 22 de março de 1920, estreou no teatro com a peça O Malefício da Mariposa. No ano seguinte, 1921, publicou Livro de Poemas.
Em 1924, em Madri, conhece vários artistas e intelectuais renomados, entre eles Gregório Martínez Sierra, diretor do Teatro Eslavo e famoso dramaturgo. Este encontro teve grande importância na carreira teatral de Lorca.
Na mesma época foi apresentado a Pablo Neruda, Salvador Dali e ao cineasta Luis Buñuel. Além de se tornaram amigos inseparáveis, marcaram demais a vida e a produção literária de Lorca.
Em Nova York, onde morou por algum tempo, escreveu poemas que só foram publicados após sua morte.
Novamente em Espanha, ano de 1931, criou e dirigiu a companhia teatral La Barraca, encenando autores clássicos espanhóis, como Lope de Vega e Cervantes A companhia percorreu diversas aldeias do país.
A carreira teatral de Lorca deu-se início com a estreia de Mariana Pineda, em Barcelona, no dia 24 de junho de 1927.
Em 1934, já era considerado um dos mais famosos poetas e dramaturgos espanhóis.
Todavia, em 1936, no auge de sua produção literária, o poeta foi assassinado em Granada, na madrugada do dia 19 de agosto de 1936.
Escritor universal
Federico García Lorca é um dos maiores representantes da literatura de língua espanhola do século XX.
Alguns estudiosos consideram o teatro de Lorca universal, não somente pelos temas, propriamente ditos, mas pela forma com a qual o autor trabalha com eles, especialmente, em relação à simbologia, tão compacta e consistente aliada à sua intensidade dramática.
O poeta, ao buscar valorizar as condições da alma, cria uma vertente construtiva e, assim, recria o mundo andaluz.
Dessa forma, a dramaturgia de García Lorca alcança a união entre popular, tradição e vanguarda, além de dar material de reflexão, especialmente sobre o universo feminino.
A concepção literária
A criação literária de García Lorca se faz inicialmente pela expressão oral, como um jogral. Antes de publicar seus trabalhos, o poeta lê, recita, interpreta seus versos e suas peças teatrais aos amigos, de maneira a fazer com eles os conheçam, antes de serem levados à publicação.
Estudiosos de sua obra apontam Lorca como um verdadeiro e original artista de teatro, primeiro pela presença de elementos poéticos que revelam a inquietação do artista, de maneira que o teatro e a poesia não se afastam na sua obra, pelo contrário, tornam-se indissociáveis.
Isso faz de seu teatro não somente o da representação de personagens, mas também de símbolos vivos.
O poeta não oferece ao seu leitor uma realidade, e, sim, um código para ser decifrado individualmente. Cada um interpreta a simbologia da obra de Lorca à sua maneira, conforme sua concepção de mundo.
Poesia
- Livro de Poemas - 1921
- Ode a Salvador Dalí - 1926
- Canciones (1921-24) - 1927
- Romancero gitano (1924-27) - 1928
Teatro
- Assim que passarem cinco anos - Lenda do tempo - 1931
- Bodas de Sangue (Trilogia) - 1933
- Yerma (Trilogia) - 1934
- A Casa de Bernarda Alba (Trilogia) - 1936
Morte
Na madrugada do dia 19 de agosto de 1936, García Lorca foi assassinado na cidade de Granada por ordem escrita de oficiais da ditadura do General Francisco Franco.
O assassinato de Lorca foi clandestino e criminoso. O poeta foi arrastado e fuzilado numa estrada nas proximidades de Viznar, município espanhol pertencente à província de Granada, na comunidade da Andaluzia. Seu corpo jamais foi encontrado.
Dias antes, seu cunhado, Manuel Fernández-Montesinos, já havia sido fuzilado junto a outros prisioneiros.
As circunstâncias do assassinato de Lorca ficaram sem esclarecimentos, até 1965, quando jornal britânico The Guardian publicou documentos que provavam a autoria e a procedência das ordens superiores para sua morte.
Cantos nuevos Agosto de 1920 - (Vega de Zujaira)
*Dice la tarde: “*¡Tengo sed de sombra!” *Dice la luna: “¡*Yo, sed de luceros!” La fuente cristalina pide labios
y suspira el viento.
Yo tengo sed de aromas y de risas,
sed de cantares nuevos
sin lunas y sin lirios,
y sin amores muertos.
Un cantar de mañ**ana que estremezca a los remansos quietos
del porvenir. Y llene de esperanza
sus ondas y sus cienos.
Un cantar luminoso y reposado
pleno de pensamiento,
virginal de tristezas y de angustias
y virginal de ensueñ**os.
Cantar sin carne lí**rica que llene de risas el silencio
(una bandada de palomas ciegas
lanzadas al misterio).
Cantar que vaya al alma de las cosas
y al alma de los vientos
y que descanse al fin en la alegrí**a del corazón eterno.
Federico García Lorca, em “Livro de poemas” (1921). no livro ‘Obra poética completa’. [tradução de William Agel de Melo]. Brasília: Editora Universidade de Brasília | São Paulo: Martins Fontes, 1989. Disponível em : http://www.elfikurten.com.br/
Llagas de amor
Esta luz, este fuego que devora.
Este paisaje gris que me rodea.
Este dolor por una sola idea.
Esta angustia de cielo, mundo y hora.
Este llanto de sangre que decora
lira sin pulso ya, lú**brica tea. Este peso del mar que me golpea.
Este alacrán que por mi pecho mora.
Son guirnalda de amor, cama de herido,
donde sin sueño, sueñ**o tu presencia entre las ruinas de mi pecho hundido.
Y aunque busco la cumbre de prudencia,
me da tu corazó**n valle tendido con cicuta y pasión de amarga ciencia.
Federico García Lorca, em “Federico García Lorca: Antologia poética”’. [tradução, seleção e apresentação de William Agel de Melo]. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2011. Disponível em: http://www.elfikurten.com.br/
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